sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Dica de Leituras


 Gostei muito das reflexões do economista Rodrigo Constantino, porta voz reconhecido por muitos, do atual pensamento "objetivista" de inspiração "randiana" no Brasil. Constantino berra sobre o óbvio que quase ninguém vê: jeitinho, malandragem, malemolência, cordialidade - um beijo no coração - e outras manifestações explícitas de profunda estupidez, são as principais responsáveis pelo nosso atraso e eterno subdesenvolvimento. 
Uma passagem que gostei: "O Brasil é tribal, primitivo. E anda para trás". Precisa dizer mais? Para todos os que desejam refletir sobre a sociedade brasileira do lado de fora dos cansativos (e burros) chavões da esquerda, essa é uma ótima oportunidade, recomendo a leitura com certa urgência.

sábado, 23 de setembro de 2017

A ÚLTIMA ENTREVISTA DE FREUD

Hoje faz exatamente 76 anos que Sigmund Freud, o pai da Psicanálise e um dos maiores pensadores de nossa história, morria em Londres depois de receber três injeções de morfina, num processo de eutanásia (ou suicídio assistido) pactuado anos atrás entre ele e seu médico Max Schur para que acabasse com o sofrimento das dores quando seu quadro se tornasse irreversível. Freud foi cremado e teve suas cinzas depositadas junto às de sua esposa Martha.
Reproduzo abaixo trechos de sua última entrevista, conduzida por George Sylvester Viereck e publicada em seu livro: "Glimpses of the great" de 1930.

“Setenta anos de idade me ensinaram a aceitar a vida com alegre humildade. ” (Freud)

Sigmund Freud — Não me revolto contra a ordem universal, afinal vivi mais de setenta anos. Eu tive o que comer. Desfrutei de muitas coisas — do companheirismo da minha esposa, dos meus filhos, do pôr-do-sol. Eu vi as plantas crescerem na primavera. Algumas vezes recebi um aperto de mão amigo. Uma ou duas vezes encontrei um ser humano que quase me entendeu. O que mais eu posso querer?
George Sylvester Viereck — O senhor gostaria de retornar à vida, assumindo uma nova forma? Em outras palavras, o senhor não gostaria de ser imortal
Sigmund Freud — Para ser franco, não. Quem identifica as razões egoístas que se escondem sob o comportamento humano não tem a menor vontade de voltar. A vida, movendo-se em círculos, ainda seria a mesma. Além disso, mesmo que o eterno retorno de todas as coisas, como disse Nietzsche, nos vestisse com novas roupas, que utilidade isso poderia ter sem a memória? Não haveria ligação entre o passado e o futuro. No que me diz respeito, estou muito satisfeito em saber que o eterno absurdo de viver terminará um dia. Nossa vida se resume a uma série de obrigações, uma luta sem fim entre o ego e o seu ambiente. O desejo de um prolongamento excessivo da vida me parece absurdo.
George Sylvester Viereck — Em que o senhor está trabalhando?
Sigmund Freud — Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, a psicanálise praticada por leigos. Os médicos querem tornar ilegal a análise feita pelos que não são médicos registrados. A história, essa velha plagiadora, se repete a cada nova descoberta. Os médicos, a princípio, combatem qualquer nova verdade. Depois eles tentam monopolizá-la.
George Sylvester Viereck — O senhor teve um grande apoio dos leigos?
Sigmund Freud — Alguns dos meus melhores alunos são leigos.
George Sylvester Viereck — Eu acho a estrutura científica que o senhor criou muito complexa. E os elementos dessa estrutura, como a teoria da substituição, da sexualidade infantil, do simbolismo dos sonhos, etc., parecem permanentes.
Sigmund Freud — No entanto, torno a dizer, nós só estamos começando. Sou apenas um principiante. Consegui trazer à tona muito do que estava enterrado nas camadas mais profundas da mente. Mas, enquanto eu só descobri alguns templos, outros podem descobrir um continente.
George Sylvester Viereck — O senhor ainda dá grande importância ao sexo?
Sigmund Freud — Eu respondo com as palavras do grande poeta Walt Whitman: “Mas não haveria nada, se não houvesse o sexo”. Entretanto, como já disse, hoje em dia, eu dou a mesma importância ao que está além do prazer — a
morte, a negação da vida. Esse desejo explica porque alguns homens gostam da dor — ela representa um passo em direção à morte! O desejo da morte explica por que todos os homens procuram o descanso eterno, por que os poetas agradecem:
”Onde quer que os deuses estejam,
Não há vida que viva para sempre
Os homens mortos nunca renascem,
E até o rio mais enfastiado
Segue confiante na direção do mar”.

George Sylvester Viereck — É certo que o senhor conseguiu incutir o seu ponto de vista sobre todos os escritores modernos. A psicanálise deu nova força à literatura.
Sigmund Freud — Ela também recebeu contribuições da literatura e da filosofia. Nietzsche foi um dos primeiros psicanalistas. É incrível o quanto a intuição dele se antecipou às nossas descobertas. Ninguém identificou com mais clareza as razões para o comportamento humano e a luta do princípio do prazer pelo eterno domínio. O seu Zaratustra diz:
”Desgraça
Grite: Vá
Mas o prazer implora por eternidade,
Implora insaciável, profunda eternidade”.
Pode ser que a psicanálise seja menos discutida na Áustria e na Alemanha do que nos Estados Unidos, mas a sua influência sobre a literatura, no entanto, é enorme. Thomas Mann e Hugo von Hofmansthal nos devem muito. Schnitzler acompanha, em grande parte, o meu desenvolvimento. Ele expressa através da poesia muito do que eu tento transmitir cientificamente. Mas o doutor Schnitzler não é apenas um poeta, ele é também um cientista.
Estava na hora de pegar o trem de volta para a cidade que um dia abrigara o esplendor imperial dos Habsburgos. Freud, acompanhado pela esposa e pela filha, subiu a escada que ligava o seu retiro nas montanhas à rua, para se despedir de mim. Ele me pareceu triste e sombrio, quando acenou para mim.)
Sigmund Freud — Não me faça parecer um pessimista — (comentou depois do último aperto de mão) — Eu não desprezo o mundo. Expressar insatisfação para com o mundo é só uma outra maneira de cortejá-lo, para conseguir plateia e aplausos! Eu não sou um pessimista, não enquanto tiver meus filhos, minha mulher e minhas flores! As flores felizmente não têm personalidade ou complexidades. Adoro as minhas flores. E não sou infeliz — pelo menos, não mais do que outras pessoas.





quarta-feira, 30 de agosto de 2017

CÉREBRO E CRENÇA - Michael Shermer

"Cérebro e crença é fruto de um grande esforço (trinta anos de pesquisa) para integrar neurociência e ciências sociais e explicar como crenças irracionais se formam e ser reforçam, deixando-nos confiantes que nossas ideias são válidas. É uma leitura obrigatória para todos os que se perguntam por que crenças religiosas e políticas são tão rígidas e polarizadas - ou por que o outro lado está sempre errado, mas em geral não percebemos isso". Leonard Mlodinow.

"Michael Shermer descreve com lucidez por que e como nosso cérebro é gravado para querer acreditar. Com uma narrativa que flui suavemente do pessoal ao profundo, Shermer partilha o que aprendeu depois de uma vida estudando a relação da crença com a realidade, e como preparar-se para saber a diferença entre elas". Lawrence M. Krauss

Indispensável para estudantes e profissionais de Psicologia, e recomendado para todos os estudiosos das áreas de ciências humanas e da saúde.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Ave Maria da Rua - Raul Seixas (ORIGINAL)


UMA DAS MAIS BONITAS MÚSICAS DA PARCERIA RAUL SEIXAS E PAULO COELHO, EM QUE JÁ SE PERCEBE A IMERSÃO NO MÍSTICO DO FUTURO BRUXO E AUTOR DE BEST SELLERS. UM PRATO CHEIO PARA INTERPRETAÇÕES FREUDIANAS, JUNGUIANAS, REICHIANAS E MUITO MAIS.

domingo, 9 de julho de 2017

Você sabe com quem está falando?│Mario Sergio Cortella



Uma das melhores palestras de Cortella. Se você pensa que é melhor que os outros, que sua religião é a única correta, que sua cor é a mais bonita e que o lugar em que você nasceu é o lugar mais especial da terra, esse vídeo é para você.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Drogas psiquiátricas são muito mais perigosas do que você jamais poderia...



Muito legal esse alerta dado pelo psiquiatra americano Dr. Peter Breggin sobre o perigo do uso de psicofármacos, mas, mais ainda sobre os riscos de parar a medicação sem acompanhamento médico: o resultado pode ser desastroso.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Medicamentos letais e crime organizado - Dr. Peter C. Gøtzsche - Legenda...



Reserve um tempo para assistir a esse vídeo do início ao fim, principalmente se você se interessa por saúde mental, seja você profissional ou usuário dos serviços de saúde mental. Aqui você verá a ligação perigosa existente entre a psiquiatria e os grandes laboratórios, responsáveis pelos critérios diagnósticos e as diretrizes de tratamento que estimulam o uso de medicamentos que fazem mal a saúde e cujo objetivo espúrio está em criar uma clientela dependente de medicações potencialmente perigosas. Vale lembrar a máxima do psiquiatra britânico Theodore Dalrymple, para quem, se jogássemos no mar todos os antidepressivos não deixaríamos nenhum peixe mais feliz e nenhum humano mais triste.