A Morte de Don
Antonio de Flores
Na praça de touros não há mais toureiros
Não há mais quem possa desafiar o perigo
O último homem morreu!
Numa guerra travada nas nuvens
De sua mente carregada de culpas.
Já não há mais quem defenda a Terra
E a fecunde e a transforme...
Don Antonio de Flores se foi
E Portugal jamais será a mesma
E as raparigas todas chorarão.
Choram Bárbaras e Helenas
Romanas e as da terra do pau-brasil
O último homem morreu
De espanto, de susto e insulto
Da impossibilidade do encontro
Entre a bainha e a espada
Na dança da luta da vida bruta.
E ninguém mais as protegerá
Filhas de Israel e da Babilônia
Dos campos verdes da ibérica península
Dos mares do sul à costa da África
Do solo seco do sertão nordestino
Tudo é pranto e dor,
Pois morreu o último cavalheiro.
Choram negras, brancas, mulatas e caboclas
E todas as ninfomaníacas da terra
Pois se foi aquele cuja lança ereta
Estava sempre pronta
E as flores murcharão em toda Terra
Don Antonio de Flores e amores
Não mais pisará o campo de batalha
O último filho do agogê está morto.
O último a se prostrar em adoração as deusas de toda a
Terra.
Pranteiam todas as feias, deformadas e
Aleijadas da Terra,
Não está mais entre os vivos
Aquele que poderia lhes lançar um olhar
E num mágico instante as converter em beleza.
E todas as bucetas do mundo chorarão
E uns tantos anus sofredores
E as loucas bocas não mais sorverão seu líquido Quente e
branco ...
Agora na terra, só dores
Pois, se foi para sempre o nobre vagabundo, o letrado
Don Antonio de Flores!

Nenhum comentário:
Postar um comentário