sábado, 17 de outubro de 2026

A MORTE DE DON ANTONIO DE FLORES - Poeta desconhecido.

A Morte de Don Antonio de Flores

 

Na praça de touros não há mais toureiros

Não há mais quem possa desafiar o perigo

O último homem morreu!

Numa guerra travada nas nuvens

De sua mente carregada de culpas.

Já não há mais quem defenda a Terra

E a fecunde e a transforme...

Don Antonio de Flores se foi

E Portugal jamais será a mesma

E as raparigas todas chorarão.

Choram Bárbaras e Helenas

Romanas e as da terra do pau-brasil

O último homem morreu

De espanto, de susto e insulto

Da impossibilidade do encontro

Entre a bainha e a espada

Na dança da luta da vida bruta.

E ninguém mais as protegerá

Filhas de Israel e da Babilônia

Dos campos verdes da ibérica península

Dos mares do sul à costa da África

Do solo seco do sertão nordestino

Tudo é pranto e dor,

Pois morreu o último cavalheiro.

Choram negras, brancas, mulatas e caboclas

E todas as ninfomaníacas da terra

Pois se foi aquele cuja lança ereta

Estava sempre pronta

E as flores murcharão em toda Terra

Don Antonio de Flores e amores

Não mais pisará o campo de batalha

O último filho do agogê está morto.

O último a se prostrar em adoração as deusas de toda a Terra.

Pranteiam todas as feias, deformadas e

Aleijadas da Terra,

Não está mais entre os vivos

Aquele que poderia lhes lançar um olhar

E num mágico instante as converter em beleza.

E todas as bucetas do mundo chorarão

E uns tantos anus sofredores

E as loucas bocas não mais sorverão seu líquido Quente e branco ...

Agora na terra, só dores

Pois, se foi para sempre o nobre vagabundo, o letrado

Don Antonio de Flores! 

 

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