Amigos, feliz ano novo para todos vocês, e que esse ano de 2012 seja cheio de realizações e muita paz!
Deixo uma reflexão retirada do livro A arte da prudência, de Baltazar Gracián: "Aprenda a fazer vista grossa à maior parte do que acontece entre amigos, conhecidos e principalmente inimigos. Tudo que é mesquinho irrita e, dependendo da condição, molesta. Respirar algo desagradável é uma espécie de mania. Em geral, o mesmo acontece com a maneira de se comportar, que varia segundo o coração e a capacidade de cada um".
Feliz 2012!
sábado, 31 de dezembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Amazing Grace
Essa é a história de um dos mais belos hinos em estilo "spiritual gospel" composto por John Newton, ex-traficante de escravos que teve um encontro com Deus ao ouvir essa melodia, vindo talvez dos porões do navio negreiro que conduzia, abarrotado de homens e mulheres, arrancadaos de sua terra - o continente africano - para serem escravizados na América. Veja abaixo a letra e sua tradução e assista ao vídeo clicando no link.
VÍDEO
http://youtu.be/3la3ROhGIOU
Amazing Grace
Amazing grace, oh how sweet the sound
That saved a wretch like me
I once was lost, though now I'm found
I was blind, but now I see
When we've been there ten thousand years
Bright shining as the sun
We've no less days to sing God's praise
Then when, when we first begun
Through many dangers, toils and snares,
I have already come
Jesus' grace that brought me safe thus far,
and grace will lead me home.
Amazing grace, oh how sweet the sound
To save a wretch like me
I once was lost, but now I'm found
I was blind, but now I see
Maravilhosa Graça
Maravilhosa Graça, Oh quão doce é o som
Que salvou um miserável como eu
Eu estava perdido, mas agora eu me encontrei
Eu estava cego, mas agora eu vejo.
Quando estivermos lá há 10 mil anos,
Brilhantes como a luz do sol,
Não teremos menos dias para cantar louvores a Deus
Do que quando, quando começamos no princípio
Por muitos perigos, labutas e armadilhas,
Eu já passei
A graça de Jesus me trouxe seguro, tão distante,
e a graça me conduzirá até o lar.
Maravilhosa Graça, Oh quão doce é o som
Que salvou um miserável como eu
Eu estava perdido, mas agora eu me encontrei
Eu estava cego, mas agora eu vejo.
VÍDEO
http://youtu.be/3la3ROhGIOU
domingo, 4 de setembro de 2011
Freud e as pessoas "que não querem incomodar". Parte 1
Já ouviu aquela história do sujeito que é convidado para algum evento e responde com questionamentos sobre a intenção de quem o convidou e depois ainda diz que não quer incomodar?
A cena é mais ou menos assim:
- Oi Juliana, quanto tempo né menina, quer almoçar comigo logo mais?
- Não vai lhe atrapalhar? Sei lá, você é tão ocupado, de repente você pode querer almoçar com outras pessoas.
- Claro que não Juliana, se estou lhe convidando...
- É, mas, você pode ter algum compromisso e aí eu vou acabar te atrapalhando e eu não quero incomodar.
Outro exemplo ainda mais contundente que o anterior: um sujeito oferece uma carona para outro pelo simples fato de que obrigatoriamente passará pelo lugar para o qual o outro está indo, e obtém como resposta a pérola abaixo, que como veremos, acaba em recusa:
- Não vai lhe atrasar? Sei lá, não quero incomodar. Melhor não, não quero tirar você de seu caminho, eu dou um jeito, pode ir...
Bem, porque será que essas pessoas se preocupam tanto em não incomodar, não atrapalhar? Certamente não é porque desejem isso. Aprendemos com Freud que existem motivos ocultos (inconscientes) por trás dessa aparente benevolência.
O principal motivo parece ser o desejo (inconsciente ou não) de não estar com a pessoa que o convida, seja por alguma rusga não resolvida no passado e causadora de ressentimentos presentes, seja por uma autoestima baixa que corre o risco de piorar na presença do outro, ou mesmo por uma agressividade dissimulada em que a recusa ao convite faz a função de elemento punitivo.
Um outro elemento interessante é a onipotência do pensamento do sujeito que "não quer incomodar", ele pensa por todos, e se julga conhecedor do pensamento alheio. Para esses indivíduos, a palavra do outro que oferece ajuda não merece crédito, pois, ele prefere crer em suas fantasias de estar incomodando, apesar de todas as alegações em contrário, e isso é que realça o caráter irracional dessa conduta.
Há também aqueles casos que decorrem de um temperamento extremamente introvertido, ou ainda aqueles indivíduos que se encontram com distúrbios de comportamento, em que os sintomas de isolamento ou fobia social os leva a restringir (ou mesmo a abolir, nos casos mais graves) seus contatos com o semelhante.
Entretanto, excetuando-se os casos em que o sujeito utiliza esse argumento (não querer incomodar) de forma consciente para fugir a um encontro desagradável, ou é fruto de algum distúrbio psicológico, nos demais casos podemos ver traços de soberba em ação, camuflada sob a aparência de uma preocupação com o outro.
A cena é mais ou menos assim:
- Oi Juliana, quanto tempo né menina, quer almoçar comigo logo mais?
- Não vai lhe atrapalhar? Sei lá, você é tão ocupado, de repente você pode querer almoçar com outras pessoas.
- Claro que não Juliana, se estou lhe convidando...
- É, mas, você pode ter algum compromisso e aí eu vou acabar te atrapalhando e eu não quero incomodar.
Outro exemplo ainda mais contundente que o anterior: um sujeito oferece uma carona para outro pelo simples fato de que obrigatoriamente passará pelo lugar para o qual o outro está indo, e obtém como resposta a pérola abaixo, que como veremos, acaba em recusa:
- Não vai lhe atrasar? Sei lá, não quero incomodar. Melhor não, não quero tirar você de seu caminho, eu dou um jeito, pode ir...
Bem, porque será que essas pessoas se preocupam tanto em não incomodar, não atrapalhar? Certamente não é porque desejem isso. Aprendemos com Freud que existem motivos ocultos (inconscientes) por trás dessa aparente benevolência.
O principal motivo parece ser o desejo (inconsciente ou não) de não estar com a pessoa que o convida, seja por alguma rusga não resolvida no passado e causadora de ressentimentos presentes, seja por uma autoestima baixa que corre o risco de piorar na presença do outro, ou mesmo por uma agressividade dissimulada em que a recusa ao convite faz a função de elemento punitivo.
Um outro elemento interessante é a onipotência do pensamento do sujeito que "não quer incomodar", ele pensa por todos, e se julga conhecedor do pensamento alheio. Para esses indivíduos, a palavra do outro que oferece ajuda não merece crédito, pois, ele prefere crer em suas fantasias de estar incomodando, apesar de todas as alegações em contrário, e isso é que realça o caráter irracional dessa conduta.
Há também aqueles casos que decorrem de um temperamento extremamente introvertido, ou ainda aqueles indivíduos que se encontram com distúrbios de comportamento, em que os sintomas de isolamento ou fobia social os leva a restringir (ou mesmo a abolir, nos casos mais graves) seus contatos com o semelhante.
Entretanto, excetuando-se os casos em que o sujeito utiliza esse argumento (não querer incomodar) de forma consciente para fugir a um encontro desagradável, ou é fruto de algum distúrbio psicológico, nos demais casos podemos ver traços de soberba em ação, camuflada sob a aparência de uma preocupação com o outro.
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
José Régio
Não conhecia José Régio (pseudônimo literário de José Maria dos Reis Pereira) até ler o poema Cântico Negro, postado no blog Peroratio, e ser capturado pela bela reflexão poética profunda contida em seus versos. Pesquisando na internet, descobri que o poeta nasceu em Vila do Conde, Portugal, em 1901, formou-se em Letras em Coimbra, ensinou durante mais de 30 anos no Liceu de Portalegre e foi um dos fundadores da revista literária "Presença". Romancista, dramaturgo, ensaísta, novelista, contista, memorialista, jornalista, historiador da literatura, crítico e acima de tudo Poeta. De acordo com Arnaldo Nogueira Jr. (www.releituras.com/) em seu “livro de estreia — Poemas de Deus e do Diabo — apresentou quase todo o elenco dos temas que viria a desenvolver nas obras posteriores: os conflitos entre Deus e o Homem, o espírito e a carne, o indivíduo e a sociedade, a consciência da frustração de todo o amor humano, o orgulhoso recurso à solidão, a problemática da sinceridade e do logro perante os outros e perante a si mesmos”. O Poeta faleceu em 1969 em sua cidade natal.
Cântico negro
José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
terça-feira, 26 de julho de 2011
Arriete Vilela - Poesia das Alagoas
NÃO IREI ALÉM...
Não irei além da palavra
Não irei além da palavra
que atormentará a tua noite
insone nem além do espelho
que não te revelará em que sulcos
da tua alma caminhei em silêncio,
numa leveza quase agressora,
para que teu amor opaco e viscoso pudesse
fingir-se de miragem.
Não irei além dos tules, dos tafetás,
Não irei além dos tules, dos tafetás,
dos morins nem das sedas
com que criaste o cenário
desta solidão em que ensaio o nosso
último gesto:
mãos vazias na direção dos ventos tempestuosos.
Não irei além do teu entendimento,
Não irei além do teu entendimento,
mesmo que te debruces sobre os meus escritos
com a voracidade cega e triste do fogo que destrói
enredos, malfadados ou não.
Não irei além dos teus afetos
Não irei além dos teus afetos
soterrados em vãs promessas, em vãs esperanças,
em vão apelos,porque sou, hoje,
coração revestido de invencível distância.
Não irei além do cheiro de maresia
Não irei além do cheiro de maresia
vindo do passado, com as bandeirolas,
nas manhãs de domingo,
agitando-se ao anúncio da bem-aventurança
sempre no próximo porto,
sempre na próxima hora,sempre no depois.
Não irei além do que sou,nem dos meus aprendizados
Não irei além do que sou,nem dos meus aprendizados
na águas do meu signo,
nem das minhas andanças ao redor do umbigo
da província.
Não irei além de mim nem de ti,
ambos gaivota e águia,ambos aves de arribação,
ambos ilha e barco à deriva,ambos deserto e oásis.
Não irei além do que, hoje, é flor e nuvem,
Não irei além do que, hoje, é flor e nuvem,
vinho branco em taças renovadas,
aceno leve à partida da jangada de vela branca.
Não irei além da mansidão com que outros corpos
Não irei além da mansidão com que outros corpos
me chegam, como sons de saxofone
através da noitesem cintilações -
sequer as do anjo -,
nem irei além dessas ternuras arando
corações que um dia se fizeram desejo
e alegria, paixão e epifania.
Não irei além dos traços na obliqüidade
Não irei além dos traços na obliqüidade
da minha vida, nem das redes que lanço
em rios de seixosa margem,nem além dos cajueiros
em flor à beira da estrada poeirenta.
Não irei além da contemplação dos trapezistas.
Não irei além da contemplação dos trapezistas.
domingo, 24 de julho de 2011
Amy Winehouse (1983-2011)
Morreu aos 27 anos a cantora e compositora inglesa Amy Winehouse, e, mesmo sem a revelacao da causa-mortis, a suspeita óbvia recai sobre seu uso exagerado de alcool e outras drogas. A boa música está de luto, sentiremos falta de sua voz estranhamente linda, de suas letras mordazes e de sua figura agressivamente doce. Abaixo, uma das minhas preferidas. Na foto abaixo pode-se ver a transformacao que o uso pesado de drogas e alcoól fez nessa anti-musa da boa música universal.
Will You Still Love Me Tomorrow
You give your love so sweetly
Tonight the light of love is in your eyes
Will you still love me tomorrow?
Is this a lasting treasureor just a moment pleasure?
Can I believe the magic of your sight?
Will you still love me tomorrow?
Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?
I like to know that your love
This know that I can be sure of
So tell me now cause I won't ask again
Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?
Will you still love me tomorrow?...
Para curtir a música no youtube clique aqui:
http://youtu.be/Ludxpkyrab0
quarta-feira, 29 de junho de 2011
LOPE DE VEGA
Lope Félix de Vega Carpio (1562-1635) nasceu em Madri, e era proveniente de uma família humilde. Muito cedo começou a estudar, em sua cidade natal e em Alcalá, tendo sido considerado um menino prodígio pelos seus mestres. Em sua desordenada vida particular combinou de forma simultânea e separadamente os papéis de amante, soldado, marido, secretario e sacerdote, além é claro de ter sido escritor em tempo integral.
Considerado o fundador da comédia espanhola, e um dos mais prolíficos escritores da literatura universal. Sua produção literária compõe-se de 426 comédias e 42 autos, além de milhares de poesias líricas, cartas, romances, poemas épicos e burlescos, livros religiosos e históricos, entre eles os extensos poemas como La Dragontea (1598) e La Gatomaquia (1634), os poemas curtos Rimas (1604), Rimas sacras (1614), Romancero Espiritual (1619) e a célebre écloga Amarilis (1633) - uma homenagem à amada morta. Ainda são destaques por sua originalidade, os épicos Jerusalén conquistada (1609), o Pastores de Belém (1612) e o romance dramático La Dorotea (1632).
Seus contemporâneos o chamaram de "Monstro da Natureza" por ter escrito mais de 1.500 peças de teatro. Entre elas destacam-se as inspiradas em histórias e lendas espanholas: O melhor juiz, o Rei; Peribánez e o Comendador de Ocaña; Fuenteovejuna; O cavaleiro de Olmedo. As históricas: O castigo sem vingança; Contra o valor não há infortúnio. As mitológicas: O pelego de ouro, Vênus. As comédias de costume: O aço de Madri; A dama boba.
Veja abaixo um dos poemas mais bonitos de Lope de Vega:
DESMAYARSE, ATREVERSE, ESTAR FURIOSO
Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde, animoso,
no hallar, fuera del bien, centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso.
Huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;
creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño:
esto es amor. Quien lo probó lo sabe.
DEFINIÇÃO DO AMOR
Tradução de José Jeronymo Rivera
Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso,
áspero, terno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, defunto, vivo,
leal, traidor, covarde e valoroso;
não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
enfadado, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, receoso;
furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno qual licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;
acreditar que o céu no inferno cabe,
doar sua vida e alma a um desengano,
isto é amor; quem o provou bem sabe.
Seus contemporâneos o chamaram de "Monstro da Natureza" por ter escrito mais de 1.500 peças de teatro. Entre elas destacam-se as inspiradas em histórias e lendas espanholas: O melhor juiz, o Rei; Peribánez e o Comendador de Ocaña; Fuenteovejuna; O cavaleiro de Olmedo. As históricas: O castigo sem vingança; Contra o valor não há infortúnio. As mitológicas: O pelego de ouro, Vênus. As comédias de costume: O aço de Madri; A dama boba.
Veja abaixo um dos poemas mais bonitos de Lope de Vega:
DESMAYARSE, ATREVERSE, ESTAR FURIOSO
Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde, animoso,
no hallar, fuera del bien, centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso.
Huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;
creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño:
esto es amor. Quien lo probó lo sabe.
DEFINIÇÃO DO AMOR
Tradução de José Jeronymo Rivera
Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso,
áspero, terno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, defunto, vivo,
leal, traidor, covarde e valoroso;
não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
enfadado, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, receoso;
furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno qual licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;
acreditar que o céu no inferno cabe,
doar sua vida e alma a um desengano,
isto é amor; quem o provou bem sabe.
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