quarta-feira, 8 de julho de 2015

ALDUISIO MOREIRA DE SOUSA - 1

        TENTAÇÃO E TENTATIVA DE DEFINIR O CONCEITO DE  
                                          INCONSCIENTE
                                                                                          Alduisio Moreira de Sousa
            O procedimento doutrinário de Lacan no que tange à cientificidade da Psicanálise deve muito a Louis Althusser e aos alunos da École Normale Supérieure da Rue D’Ulm. Foi no seu ensino ali – na École – que ele procedeu de forma francamente matemática com escrita lógica algébrica e foi radicalizando sua própria então incipiente axiomática, deixando emergir interrogações nunca antes feitas em seu ensino: epistemologia numa exigência de clareza sem igual, pois ali encontrava um público jovem e desafiador para o qual devia se dispor realmente a uma abertura não simplesmente mudança de endereço, mas criar um lugar de abertura para novos interlocutores do Seminário então aberto para não analistas e para novos horizontes teóricos: filosofia marxista (no caso, maoista), matemática, topologia e as questões postas pela comunidade de um público diante da efervescência política pré-revolucionária [ou pré 1968], que abalou os alicerces políticos da cultura e da ciência supostamente neutra em relação à política e à ideologia. O ensino então carecia de maior precisão, e se apresenta então diante da exigência de atualidade do publico novo da nova comunidade. Foi como se lhe fosse exigido contas sob a forma conceitual a qual não estava habituado. Foi ali que ele abriu espaço para os jovens normalistas e inclusive àquele que se tornou seu principal interlocutor – Jacques-Alain Miller que se tornou seu genro ao se casar com sua filha Judith Miller. Ali também que formulou o Seminários sobre os conceitos fundamentais da psicanálise interrogando-os pelo viés da ciência de onde surgiu o Seminário 11, então nomeado por Miller como “os quatro conceitos fundamentais” [o inconsciente, a pulsão a transferência e a repetição] cuja abertura tem por tema: A Excomunhão, onde Lacan manifesta sua identificação a Espinosa de 1656,  e então foi o momento que interrogou sistematicamente a cientificidade da psicanálise se interrogando no seu ensino: a psicanálise se seria uma ciência ou não? É então daí que Lacan se interroga, pontuado por Louis Althusser em sua leitura marxista de Freud e do Próprio Lacan. Temos uma refundação dos interrogantes teóricos, tendo como interlocutores Althusser e seus discípulos: Jacques-Alain Miller, Ives Duroux, Alain Grosrichard, e Pierre Souris etc. Lacan fica à vontade para falar do materialismo histórico e dialético pela releitura de Marx promovida pelo genial Louis Althusser. Tal como leio a Psicanálise, Lacan aí fala e ensina como um cientista. A lógica de seu ensino se radicaliza e ousa um procedimento até então inusitado em sua elaboração, cujo apoio em Frege se torna manifesto.  A partir de então, o procedimento eclético se torna pouco a pouco algébrico, num processo formal seguindo um algoritmo que ele já havia definido em 1957 e uma composição conceitual por proposições na lógica já então fregeana, da relação entre função e argumento.
Diz Lacan em 1957: “( .../..). vamos fiar-nos nas premissas (...) pelo fato de que a linguagem teria efetivamente conquistado, na experiência, seu status de objeto científico. (.../..). por esse fato que a linguística se apresenta numa posição piloto (.../...) para uma reclassificação das ciências (.../...) como acontece com toda ciência no sentido moderno (...) no momento constitutivo de uma algoritmo que a funda”. S/s.
            Quando estudamos Frege através do texto A SUTURA de Jacques-Alain Miller e depois indo diretamente aos textos fregeanos, deixamos escapar a oportunidade de estendermos o tratamento conceitual para fazermos uma checagem deles para nossa atividade seja de estudos ou da clínica. Não de uma aplicação, mas de exercício de dedução já que poderíamos diretamente acrescentar ao conceito de conceito, de número e de sucessor uma elaboração do próprio conceito de INCONSCIENTE que está posto nas condições de enunciação, e assim apurarmos nosso entendimento da doutrina e da prática analítica.
De entrada, na SUTURA, nas provocações de Miller, ele diz que: “O campo freudiano não é representável por uma superfície fechada”, deixando claro que a estrutura que o representa este campo é moebiana com uma invariante e os objetos topológicos subsumidos são a Cinta de Moebius, a Garrafa de Klein e o Cross-cap. O passo que faltava é mínimo para alojar o conceito de Inconsciente. É o que proponho que trabalhemos, já que, na página 12 eis o que o autor diz:
“.../... a relação que na álgebra lacaniana é dita do sujeito ao campo do Outro (como lugar da verdade) se identifica à que o zero mantém para com a identidade do único como suporte da verdade. Esta relação, enquanto matricial, não poderia ser integrada da objetividade,  –  é isto que  doutrina o doutor Lacan. O engendramento do zero, a partir dessa não-identidade-a-si sob cuja batida não cai coisa alguma do mundo, pode ilustrá-la para vocês. (.../...) O que constitui essa relação como matriz da cadeia deve ser isolado nessa implicação que faz determinante da exclusão do sujeito para fora do campo do Outro (A), sua representação sob a forma do um do único, da unidade distintiva chamada por Lacan “o unário” (l’unaire). Na sua álgebra, essa exclusão é marcada pela barra que vem afligir o S do sujeito diante do grande A (Outro), deslocamento cujo efeito é a emergência da significação significada ao sujeito. (.../...) Não entabulada pela troca da barra, essa exterioridade do sujeito ao Outro $(A) se mantém, instituindo o inconsciente”.
Ou seja, a barra que escrevia a posição do Sujeito como uma demanda indeterminada, como carência da própria cadeia como uma suposição aflige então ao sujeito, já que ele diante do Outro está em posição de carência pelo efeito de seu desejo, cuja mostração aponta para o traço-unário, como elemento que lhe é fundador enquanto sujeito: sua castração. Aqui, podemos colocar uma dupla acepção: do que limita e possibilita, de onde surgirão as formações que sob o signo da carência ou suposta suficiência ao Ideal do Eu e Eu ideal. Ou seja, da distinção aberta pelo Estádio do Espelho de 1936/1949.
Temos aí a relação S(A) significante diante do Outro, sem mais é a condição da fala e como exclusão do sujeito de seu campo, campo do Outro, lugar da verdade. O matema s(A), é proposto como significado ao sujeito. É como da reversão do inicio do grafo do desejo, e em seguida significante diante falta do Outro, aqui é onde o Outro é barrado $(Ⱥ), nos indicando que é do campo mesmo da verdade que devemos sacar o Significante e de lá, da barra que aflige o $ujeito que ele é interrogado sobre sua ex-sistência. A falta marcada sobre o Outro então é o sujeito que a toma pra si, quando fala, daí sua determinação e responsabilidade, pois sua fala se inscreve como obturação buscada dessa falta, ou seja, da carência de seu Outro. Daí, o passo necessário é a elaboração de um novo conceito de objeto, de onde resulta o Objeto a. Pensemos na subsunção e na atribuição para este paradoxal objeto?
Percebamos e façamos o registro do que o autor chama de significação para o sujeito, o que entendi como da ordem da mensagem, em seguida é que o Outro é barrado, já que é nele que temos a bateria significante, e por ele ser barrada significa que não é todo, e a barra como uma inversão da mensagem retorna ao sujeito que aí então aparece ele, o Outro, como barrado (Ⱥ), o Outro como barrado é apontado pelo traço-unário. É aí que situamos a própria emergência do Inconsciente, como ato ainda não conceptualizável enquanto tal, mas como enganche indicando a necessidade de uma elaboração.  
 Devemos situar esta superfície evocada no texto da SUTURA, que deveria conter o que é representável do campo freudiano, superfície cujo ponto comum ou invariante é a torção moebiana: temos então a moebianiedade como condição e como tal temos os objetos topológicos referidos como vemos nos objetos aqui mostrados ou descritos: a própria cinta de Moebius, a Garrafa de Klein e o Cross-cap para que pensemos a Lógica do Significante na obra de Lacan, na construção dos objetos, funções, argumentos da elaboração linguageira.   
Processo formal, e como tal por ser puramente formal, implicando todos os campos do saber, na produção do sujeito, aqui considerado como um movimento linear engendrando-se no seu próprio percurso, extrapolando sua origem linguística inclusive com a distinção dada por Frege  entre sentido e significado.  Aqui no que nos interessa é interessante pensar a cientificidade da psicanálise, tomando como exemplo, pelo conceito de CONCEITO, conceito de NÚMERO e de SUCESSOR, tal como Jacques-Alain Miller pontuou em seu texto A SUTURA. O conceito de sucessor, definido a partir do conceito duplamente contraditório nos trás o CONCEITO DE INCONSCIENTE.
O conceito de SUTURA ele explicita como “a relação do sujeito à cadeia significante de seu discurso”. Estrutura onde o enunciador se faz presente por sua ausência na locução onde ele está como lugar-tenente da marca de passagem de interior a exterior discursivo ou ainda pela diferença posta pelo enunciado e a enunciação. Frege acrescentará nessa binariedade a presença da diferença entre sentido e significado, ou sentido e significação.
Miller vai trabalhar considerando e questionando os axiomas fundadores de Peano: ZERO, NÚMERO e SUCESSOR.
Eis os axiomas de Peano:
1        Zero é um número.
2         O sucessor imediato de um número é um número. 
3        Zero não é sucessor de nenhum número.
4        Não há números que tenham o mesmo sucessor imediato.
5        Qualquer propriedade pertencente a zero e também ao sucessor imediato de cada número que tenham estas propriedades pertence a todos os números.
     Ao retomarmos a axiomática de Peano ela nos libera e convoca para a reflexão, mas exige que tenhamos como sabido que ela está na base teórica de nossas elaborações. Ela é suturante aqui para nosso exercício de pensamento, já que elabora a relação do sujeito à cadeia de seu próprio discurso. Miller se interroga e responde sua própria interrogação: “O que é que funciona na série dos números inteiros naturais, ao que é preciso relacionar sua progressão? É a função sujeito”, aqui ainda desconhecido que opera. Observemos que ele diz função sujeito e não função do sujeito, simples observação para a atenção requerida a seguir.
Frege exclui o empirismo e o psicologismo no que seria a passagem da coisa à unidade e à coleção das unidades e daí à unidade do número. Aí a função sujeito e mesmo do sujeito pensante toma emprestado a figura da abstração e da unificação. A unidade então é conferida ao indivíduo como à coleção e o que marca o número é seu nome. Trata-se aqui de uma Vorstellungen objetiva excluindo então o empirismo e seu efeito de ser uma Vorstellungen subjetiva, ou psicológica. Esta exclusão do empírico e do psicológico (subjetivo) vai dar espaço para a noção que podemos identificar à repetição. Veremos que a repetição é um avanço na direção da subjetivação como automatismo sulucionante.
             Frege trabalha de forma ternária com três conceitos: CONCEITO, OBJETO e NÚMERO e duas relações, SUBJUNÇÃO e ATRIBUIÇÃO, ou ASSINAÇÃO. De forma simplificada e rigorosamente determinada pelo uso das duas relações: SUBSUNÇÃO e ATRIBUIÇÃO, que seria mais prático chamar de NOMEAÇÃO. Ou seja, o conceito convoca um objeto que ele então SUBSUME e em seguida o NOMEIA.
A localização espaço-temporal – a seriação dos números inteiros – do objeto cria a diferença entre objeto e coisa integrada. A coisa então desaparece e ressurgindo como OBJETO, que é a coisa enquanto UNA. Fica assim claro que o conceito que opera no sistema formado a partir da SUBSUNÇÃO é um conceito reduplicado: O CONCEITO DE IDENTIDADE A UM CONCEITO. A atribuição é então a nomeação, ou melhor, um dar nome à coisa subsumida. É aí que começa a lógica, já que a indução no conceito pela identidade dá nascimento à dimensão lógica e provoca a emergência do numerável.
Vamos ao exemplo do texto A SUTURA, de Miller:
Um conceito: “o filho de Agamenon e Cassandra”, convocamos para subsumi-los Pélops e Telédamos que serão os objetos que serão atribuídos após subsumi-los e daí segue que os objetos que caem sob o conceito é “idêntico ao conceito: filho de Agamenon e de Cassandra”.
Fica evidente que o conceito que opera no sistema formado a partir da determinação da subsunção é um conceito reduplicado: o conceito de identidade a um conceito. Ou seja, um conceito dentro do Conceito para torná-lo operável. É daí que surge o numerável. A seriação dos números inteiros, com o conceito de SUCESSOR trás o paradoxo do Inconsciente através do que constitui a base do numerável,  cujo procedimento devemos reestudar.
Os filhos então são aplicados a si mesmos – condição da verdade – o que os transforma em unidade a passar ao estatuto de objeto e como tal numerável. O um da unidade singular, esse um do idêntico ao subsumido esse um é aquilo que todo número tem de comum: ser antes de tudo constituído como unidade. Daí temos que a atribuição do número tem a seguinte operação: “o número atribuído ao conceito F é a extensão do conceito “idêntico ao conceito F””. Aqui está o ponto chave segundo o raciocínio de Frege: a reduplicação do conceito. Um Conceito subsume sempre um objeto, mas partes e mesmo todo um Conceito pode ocupar o lugar de objeto de outro conceito. É um conceito auxiliar ou como Miller o nomeia, reserva. Este encaixe será determinante e presente em toda formulação de Frege, sabem bem quem procurou seguir a elaboração passo a passa dos Fundamentos da Aritmética de Gottlob Frege.
        O sistema ternário (Conceito, Objeto e Número) de Frege, tem por efeito só deixar à coisa o suporte de sua identidade a si, no que ela é então objeto do conceito operante e numerável. O conceito atribuível, assinante, com sua unidade unificante se subordina à unidade distintiva – articulável – para dar suporte à seriação que suporta o número. O fundamento da unidade distintiva situa no princípio de que é a função da identidade que confere a todas as coisas do mundo a propriedade de serem unas, completando sua transformação em objeto de conceito (lógico).  
EADEM SUNT QUORUM UNUM POTEST SUBSTITUI ALTERI
                     SALVA VERITATE. (Leibniz)
Idênticas são as coisas que podem ser substituídas uma a outra sem que a verdade se perca. Temos aqui a emergência da função da VERDADE.
Se uma coisa não puder ser substituída por si mesma o que seria da VERDADE? Absoluta é sua subversão. 
“... a verdade se reencontra no que a coisa substituída, porque idêntica a si mesma pode ser objeto de julgamento e entrar na ordem do discurso: idêntica a si mesma, no discurso ele é então articulável”.
Vemos que a identidade a si mesma é essencial para o que salva a verdade: A VERDADE É. CADA COISA É IDÊNTICA A SI MESMA.
Foi preciso nessa travessia de Frege evocar ao nível do conceito um objeto não idêntico a si mesmo, rejeitado em seguida (mas necessário à reflexão) pela discensão da verdade.
                          O NÚMERO ZERO
O ZERO, 0, do primeiro axioma de Peano é que se inscreve no lugar do número consuma a exclusão  desse objeto, nada poderia ser escrito ali e se é preciso grafar algo será um 0 apenas para figurar um branco e tornar visível a falta. Do ZERO-falta ao ZERO-número se conceptualiza o não conceptualizável. Há aqui uma alteração fundamental, pela evocação e revogação do ZERO-número. O zero entendido como número que marca um conceito que deveria subsumir um objeto na verdade subsume a falta de objeto e como tal uma coisa é a primeira coisa não real no pensamento.
Se do número Zero construímos o conceito ele subsume como seu único objeto o número Zero. O número que marca este único objeto é então o número 1.
O sistema de Frege opera a cada um dos lugares que ele fixa pela circulação de um elemento: do número Zero a seu conceito, deste conceito a seu objeto e a seu número. Circulação que produz o 1.  0 é então contado por 1 uma vez que o conceito de Zero subsume no real apenas um branco que é o suporte geral da série de números. Isto é demonstrado por Frege com a operação do sucessor que é (n+1).
Tomemos um número: 3, (três). Ele nos serve para construir o conceito de “membro da série dos números naturais terminados por 3 (três)”. O número assinado (atribuído) a este conceito é quatro, pois contamos (n+1). Atribuindo ao seu conceito reduplicado o número 3 funciona como o número que unifica a coleção reserva. No conceito de “número da série dos números naturais terminado por 3”  ele é termo (elemento e elemento final).
Na ordem do real o 3 subsume 3 objetos. Na ordem do número que é a do discurso premido pela verdade, são os números que contamos antes do três: antes dos 3 há três números ele é portanto o quarto. Na ordem dos números há também o 0 (Zero) e ele se conta como o 1 (um). O 0 (zero) que estava em reserva passa ao termo pela somação do 0 (zero). Daí é que temos o SUCESSOR. O que no real é ausência pura e simples se acha pelo fato do número (instancia da verdade) é notado e contado como 1. É por isso que dizemos: o objeto não idêntico a si, provocado – rejeitado pela verdade, instituído – anulado pelo discurso (a subsunção como tal) – em uma palavra é o SUTURADO. Aquele que estava na reserva mas não foi descartada sua existência. A emergência da falta como 0 (zero) e do 0 (zero) como 1 determina o SUCESSOR. Penso ser o processo de SUTURAÇÃO. Seja n, a falta se fixa como 0 (zero) que se fixa como 1: n+1 que se adiciona para formar o que seria o n’, que absorve o 1.
O 1 assim engendrado deve ser tomado como o símbolo originário da emergência da falta no campo da verdade e o sinal + indica o passamento, a transgressão pela qual o 0-falta vem a ser representado pelo 1 e produz por essa diferença de n a n’ o que reconhecemos como efeito de sentido, o nome de um número.
                   A DIREÇÃO VERTICAL E A HORIZONTAL
“A repetição geradora da série dos números se sustenta nisso, do que o Zero-falta passar segundo um eixo vertical de início, transpassando a barra que limita o campo da verdade para nela se representar como 1 (um), abolindo-se em seguida como sentido em cada um dos números da progressão sucessorial.
Se distinguimos o 0 (zero) como falta do objeto contraditório dos que suturam em ausência  na série dos números devemos distinguir o 1 (um), nome próprio de um número daquele que vem fixar numa marca o 0 (zero) do não idêntico a si suturado pela identidade a si, lei do discurso, o que dá as garantias no campo da verdade do dizer. O paradoxo a ser compreendido (do significante no sentido lacaniano) é o de que a marca do idêntico representa o não idêntico de onde se deduz a impossibilidade de sua reduplicação, e por isso não há metalinguagem, e daí temos a estrutura da repetição (re-petição) como processo de diferenciação do idêntico.
A série dos números é uma metonímia do 0 (zero) na série sucessorial  horizontal, mas sua efetivação como inicial é de uma substituição na verticalidade: donde substituição metafórica e contiguidade metonímica. O discurso da lógica convoca um objeto impossível como não idêntico a si mesmo, negativo puro no campo da verdade: O SUJEITO no sentido lacaniano, busca a suturação para se sustentar como e no discurso para em seguida desaparecer na sua própria efetuação, daí sua fugacidade e sua permanência paradoxal, como citado no início em Cinta de Moebius, Garrafa de Klein e Cross-cap.  Temos então uma estrutura que tento dar uma ideia da seguinte maneira:
                              SUJEITO – SUTURA – INCONSCIENTE
                                           S (Ⱥ) >>>>>>>>>> $ (A)
O objeto impossível que o discurso da lógica convoca como não idêntico a si e o rejeita como negativo puro, quando ele insiste em se fazer presente nós o chamamos de SUJEITO. Sua exclusão para que o SUJEITO se relacione efetivamente com a cadeia de seu próprio discurso foi dado o nome de SUTURA, este batimento que vai do significante ao campo Outro que é marcado como falta S(Ⱥ), o efeito disso, acolhimento ou injunção de onde o existente recolhe a barra que o funda como pura exterioridade $(A) é que o aliena nos efeitos da fala na linguagem, é onde escrevemos o conceito de INCONSCIENTE.
Temos assim uma tripartição: SIGNICADO para o Sujeito que poderia ser grafado como a escrita da mensagem no grafo da Subversão do Sujeito nos Escritos: s(A); a da cadeia significante que o sujeito sutura ou mesmo tenta burlar sendo então recortado pelos sentidos metafórico e metonímico da cadeia sendo puro efeito da falta no campo do Outro S(Ⱥ); o campo exterior onde o sujeito é rejeitado não é suporte para a dicotomia linguística do significado / significante nos seus múltiplos efeitos de significância pela repetição (tal A carta roubada), a isto, quando efetivado chamamos o INCONSCIENTE, precedido do artigo definido para configurar um conceito.

Podemos enfim no lugar do objeto-não-idêntico-a-si-mesmo, para o qual convém o termo paradoxal do nome de Objeto a, sua moebianidade e os objetos que subsume (Cinta de Moebius, Garrafa de Klein e Cross-cap) é a FUNÇÃO SUJEITO que reconhecendo, pelo uso da linguagem a sua incompletude ou sua infinitude o INCONSCIENTE como conceito seria o ATO de fazer sua causa ou razão (matemática) ao que subsumindo um objeto do zero-falta ao zero-número que enfim é falta de objeto, é nomeado sempre como um-a-mais (n+1) nessa duplicidade da presença-ausência, o nome desta operação paradoxal, convém conceptualizar de: INCONSCIENTE. A barra que aflige o Outro (Ⱥ) retorna ao sujeito que então é barrado ($). Esta barra é o efeito do ATO INCONSCIENTE.  

                                                                                     Alduisio

segunda-feira, 18 de maio de 2015

LUC FERRY: A Filosofia a serviço da vida!

Reproduzo abaixo uma entrevista concedida pelo Filósofo francês Luc Ferry à jornalista Rita Loiola da revista "Superinteressante", em julho de 2008.

"O filósofo Luc Ferry é o oposto do que geralmente se associa a um intelectual francês. Seus livros são fáceis de ler – estão sempre na lista dos 10 mais vendidos na França. Os títulos lembram a auto-ajuda (Aprender a Viver, O Que É uma Vida Bem-Sucedida ou Famílias, Amo Vocês), mas tratam apenas de questões-chave da história da filosofia. “Minha questão é saber como o ser humano pode viver melhor, e isso só a filosofia é capaz de responder”, diz. Além de escrever best sellers, Luc Ferry milita na direita francesa, ao contrário de muitos dos seus colegas intelectuais. Membro do atual governo do presidente Nicolas Sarkozy, ele era ministro da Educação em 2004, quando a França criou polêmica ao proibir que as crianças usassem símbolos religiosos na escola – lei que afetou sobretudo jovens muçulmanas que usavam véu. Ele também não é um intelectual pessimista, mas um entusiasta da maneira de viver e pensar do Ocidente. Se o Brasil e o mundo ficam escandalizados com a morte da menina Isabella ou o caso do austríaco que praticou incesto com a filha durante 28 anos, Ferry diz que nunca amamos tanto nossa família. Numa tarde quente de primavera em Paris, o filósofo explicou por que o amor à família é a novidade na história que define o mundo de hoje.
No livro Famílias, Amo Vocês, lançado este mês no Brasil, você diz que os pais nunca amaram tanto os filhos. No entanto, estamos todos chocados com o caso de uma menina que foi jogada pela janela do 6º andar. E, na Áustria, veio à tona um caso de incesto que durou 28 anos. Esses episódios não o contradizem?
Não. Já ouvi falar dezenas de vezes desse caso da garota Isabella, e estamos todos chocados, tanto quanto com o caso de incesto da Áustria. O importante é que, hoje, esses episódios deixam a maior parte da população escandalizada. Analisando historicamente, percebemos que nem sempre as pessoas ficaram chocadas com histórias como essas. Até o século 18, antes do nascimento da família moderna, cerca de 30% das crianças eram abandonadas. No norte da França, as mortes chegavam a 90% no primeiro ano de vida. Na Idade Média, a morte de uma criança era menos importante que a perda de um cavalo. Existiam diferenças em relação ao primogênito, mas, em geral, as crianças simplesmente eram abandonadas para morrer. A situação mudou completamente. E, no futuro, a família deve se tornar ainda mais importante.
Por quê?
Porque o ser humano é uma das últimas coisas sagradas hoje em dia. Na história, o sagrado (aquilo pelo qual somos capazes de arriscar nossa vida) mudou muito. Os europeus já morreram por 3 grandes motivos: Deus, a pátria e a revolução. Nos últimos séculos, houve mortes maciças em guerras de religião, nacionalistas e guerras revolucionárias. Esses motivos desapareceram. Os jovens ocidentais de hoje não são capazes de morrer nem pela pátria, nem por Deus, nem pela revolução. Acabou.
Mas ainda existe quem morreria por um ideal, como os homens-bomba ou os terroristas bascos. Não?
Existem os extremismos políticos, mas acredito que, entre os ocidentais, nem mesmo os 5% de extrema direita ou esquerda morreriam por um ideal. No entanto, os únicos seres pelos quais seríamos capazes de arriscar nossa vida são os outros seres humanos – nossos filhos, nossos amigos ou mesmo pessoas que passam por situações graves de miséria, como os famintos da África e os movimentos humanitários que tentam salvá-los. O sagrado não desapareceu, ele só mudou de lugar e se encarnou na humanidade. Passamos da transcendência vertical – Deus, pátria, as grandes utopias – para a transcendência horizontal – os homens. Na minha opinião, trata-se de uma grande mudança. É uma maravilha não morrer por motivos estúpidos, e sim para salvar outros seres humanos. Muita gente acha que o fim das utopias é uma tragédia. Para mim, é uma coisa formidável.
Como o fim dos ideais influencia a política hoje?
No Ocidente, faz com que a política, em vez de ser um fim em si mesma, seja um auxílio para a vida privada. Hoje em dia, as pessoas pedem que nós, políticos, sejamos um instrumento do desenvolvimento da família. Não trabalhamos a serviço da glória do país ou da revolução, mas a serviço dos cidadãos. É uma mudança de foco imensa. Com ela, surgem problemas novos, como a preocupação com as gerações futuras. Vem daí o interesse pela ecologia e também pela dívida pública – questões para resolvermos a longo prazo. Temos que dar conta desses problemas não para contribuir para a grandeza do país, mas porque não queremos deixar um mundo pior para nossos filhos.
Essa preocupação com a família é um dos aspectos do que você chama de “novo humanismo” do mundo moderno ou “sabedoria do amor”?
Exatamente. O mundo de hoje é marcado por relações amorosas que têm uma origem muito recente. Antes do capitalismo, as pessoas se casavam à força e nunca por amor. O casamento tinha duas funções: manter a linhagem familiar e tocar a vida rural – fazer a roça, construir cercas para os animais, preparar a comida e até fazer as próprias roupas. Com o capitalismo, surge o povo assalariado e o mercado de trabalho. As mulheres saem da roça para trabalhar nas cidades, vão ser operárias, domésticas em casas burguesas e se descobrem como indivíduos. Largam a bolha em que viviam e descobrem duas liberdades: o anonimato – ninguém mais as vigia – e o salário, um pouco de dinheiro que significa a autonomia material. Coloque-se no lugar dessa moça que escapa do olhar da família e do padre da vila: é uma liberdade formidável! Essa mulher passa a se recusar a ser casada à força. Ela vai querer “se” casar – e com alguém de quem ela goste. Surge assim o casamento por amor, e desse casamento vem o amor pelos filhos e depois a sacralização das pessoas. Foi assim que o amor familiar virou um grande traço que nos define hoje em dia.
Então é o amor que dá sentido à vida hoje?
Sim. O amor é uma das poucas coisas absolutas, indiscutíveis hoje em dia. E a única coisa capaz de dar sentido à vida é o absoluto. Antigamente, o valor absoluto era uma coisa transcendente, ou seja, superior a nós, como Deus e a eternidade. O valor absoluto caía do céu. Mas agora ele está em nós, o que eu chamo de uma “transcendência na imanência”. É mais ou menos como quando alguém se apaixona: ele descobre a transcendência do outro, mas consciente de que o sentimento foi criado dentro de si. A verdade não é mais descoberta hoje sob argumentos autoritários, superiores, mas na sua parte mais íntima – o coração.
Alguns psicólogos dizem que estamos obcecados pela felicidade e pela realização pessoal. Essa busca por felicidade do mundo moderno pode nos levar a mais decontentamento?
Bem, você gostaria de voltar aos séculos passados onde essa felicidade não existia? Se não gostaria, é preciso aceitar que a vida moderna, democrática e livre tem um custo, que é fazer e até mesmo inventar a vida sozinho, arranjar um sentido para a própria vida. Certamente não devemos pensar que a vida deve ser sempre feliz e despreocupada. Pessoas que tentam viver como se a vida pudesse ter nenhum sofrimento lembram um animal – digamos, um coelho – que vive sem imaginar que há um caçador por perto para estragar a festa. Kant, o filósofo alemão, diz que se a Providência quisesse que fôssemos felizes não teria nos dado a inteligência. Nunca conseguiremos ter uma vida totalmente despreocupada. O ser humano tem problemas, tem medos que o fazem diferente de um coelho que brinca inocentemente.
Os títulos de seus últimos livros parecem tirados de manuais de auto-ajuda, mas falam somente sobre questões filosóficas cruciais. A filosofia pode nos ajudar a viver melhor?
Sim. Quando a filosofia surgiu, na Grécia, era uma “aprendizagem sobre a vida”, e não um discurso chato, como hoje. Naquela época, as escolas de filosofia passavam como lição de casa exercícios para os alunos viverem melhor e mais livres. Por isso, um dos meus livros têm o título Aprender a Viver, que é uma frase de Sêneca, o filósofo estóico grego. Só depois da vitória do cristianismo sobre a cultura grega que a filosofia vira questão religiosa e acadêmica. Quando a religião cristã se sobrepõe à filosofia, principalmente a partir da Idade Média, e toma para si a questão da “aprendizagem da vida” ou do “saber viver”, a filosofia fica esvaziada de seu objetivo principal e se transforma em um estudo abstrato e puramente teórico. Apesar de a vida na Grécia e no século 21 serem bem diferentes, os problemas do ser humano são parecidos. Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior.
Mas atualmente ajudar a viver melhor não é papel da psicologia?
O projeto da filosofia e da psicologia é igual – salvar o ser humano dos seus medos. Mas os caminhos são bem diferentes. Acho que a psicologia nos diz “como” e a filosofia responde “por que”. A psicologia acalma e a filosofia mostra o sentido".

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Ilha das Flores - Jorge Furtado, 1989.



Esse curta-metragem nos leva a pensar sobre questões relativas à ordem ou desordem social, sobre o valor e os valores das coisas/pessoas/bichos; sobre o ser e o nada, inclusão e exclusão.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Os sete sapatos sujos - Mia Couto


Reproduzo aqui um excerto do texto crítico e reflexivo do escritor africano Mia Couto, que fala da necessidade de assumirmos a responsabilidade pelo nosso destino, deixando assim de culpar o Outro ou as circunstâncias pelas nossas dificuldades. Para ver o texto completo acesse o endereço abaixo:
www.contioutra.com/os-sete-sapatos-sujos-por-mia-couto/

"Falarei aqui na minha qualidade de escritor tendo escolhido um terreno que é a nossa interioridade, um território em que somos todos amadores. Neste domínio ninguém tem licenciatura, nem pode ter a ousadia de proferir orações de “sapiência”. O único segredo, a única sabedoria é sermos verdadeiros, não termos medo de partilhar publicamente as nossas fragilidades. É isso que venho fazer, partilhar convosco algumas das minhas dúvidas, das minhas solitárias cogitações.
Começo por um fait-divers. Há agora um anúncio nas nossas estações de rádio em que alguém pergunta à vizinha: diga-me minha senhora, o que é que se passa em sua casa, o seu filho é chefe de turma, as suas filhas casaram muito bem, o seu marido foi nomeado director, diga-me, querida vizinha, qual é o segredo? E a senhora responde: é que lá em casa nós comemos arroz marca…(não digo a marca porque não me pagaram este momento publicitário).
Seria bom que assim que fosse, que a nossa vida mudasse só por consumirmos um produto alimentar. Já estou a ver o nosso Magnifico Reitor a distribuir o mágico arroz e a abrirem-se no ISCTEM as portas para o sucesso e para a felicidade. Mas ser- se feliz é, infelizmente, muito mais trabalhoso."  (os sete sapatos sujos, por Mia Couto, in: Conti Outra.)

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

WILHELM REICH E A ORGONOMIA


BIOGRAFIA
       Nasceu em 24/03/1897 na Galícia.
       Sua mãe suicidou-se quando ele tinha 14 anos.
       1922: primeiro assistente clínico de Freud.
       1933: expulso do PCA.
       1934: expulso da IPA.
       1939: mudou-se para os Estados Unidos.
       1954: perseguido pela FDA acusado de charlatanismo.
       Em 1957 morre na prisão.
INFLUÊNCIAS
       Psicanálise:
-          Análise do caráter e couraça caracterológica.
-          Ampliou a teoria da libido.
       Marxismo:
-          Tentou conciliar as teorias de Freud e Marx.
-          A Psicanálise é uma ciência revolucionária que completa a crítica marxista da economia burguesa com uma crítica de sua moralidade repressora da sexualidade.
       Sexualidade Humana:
-           Criou clínicas de Higiene Sexual: anticoncepcionais, aborto, divórcio, DST.
-           Defendia a livre expressão dos sentimentos sexuais e emocionais dentro de um relacionamento amoroso e maduro.
       - A meta da terapia era a libertação dos bloqueios do corpo e a plena capacidade para o orgasmo sexual.
PRINCIPAIS CONCEITOS
       Caráter:
Inclui atitudes, valores, estilo de comportamento e atitudes físicas (postura, movimentação etc).
Forma-se como uma defesa contra a ansiedade criada pelos sentimentos sexuais da criança e o medo da punição.
       Couraça do caráter:
São frutos das defesas do Ego que se tornaram cronicamente ativas e automáticas, se transformaram em “Traços de Caráter”, e são experimentadas como partes integrantes da personalidade do indivíduo.
       Caráter Genital:
Pessoa que adquiriu a capacidade de abandonar-se, sem inibições, ao fluxo de energia biológica, que possui “potência orgástica”.
“Capacidade de descarregar completamente a excitação sexual reprimida por meio de involuntárias e agradáveis convulsões do corpo”.
Quando o paciente renuncia à couraça caracterológica ele desenvolve a potência orgástica e fica livre da rigidez neurótica.
       Bioenergia:
Energia Vegetativa ou Biológica que flui quando a couraça é dissolvida.
Fórmula do Orgasmo: tensão mecânica    carga bioenergética     descarga bioenergética    relaxamento mecânico.
       Energia Orgônica:
Energia universal presente em todas as coisas.
A energia orgônica cósmica funciona no organismo vivo como energia biológica específica.
       Dissolvendo a couraça:
Armazenar energia através da respiração profunda.
Atacar a musculatura cronicamente tensa (massagens, pressão, beliscões etc.).
Começar o trabalho pelos olhos e terminar na pélvis.
OLHOS       BOCA       PESCOÇO       TÓRAX     DIAFRAGMA        ABDÔMEM       PÉLVIS

BIBLIOGRAFIA:
 FADIMAN, J e FRAGER, R. Teorias da Personalidade. Harbra. São Paulo. 1979.






CARL JUNG - A Psicologia Analítica

BIOGRAFIA
       Suiça, 26/07/1875
       Em 1900 torna-se interno na Clínica Psiquiátrica Burgholzli em Zurique.
       1904: desenvolve o teste de associação de palavras para auxiliar o diagnóstico.
       1906: inicia a correspondência com Freud que duraria até 1913.
       27/02/1907: encontro com Freud em Viena.
       Em 1912 ele rompe definitivamente com Freud.
       Morreu em 06/06/1961 em Kusnacht, Zurique.
INFLUÊNCIAS
       Psicanálise: sonhos, símbolos, processos inconscientes.
       Literatura e Filosofia:
-          O “Fausto” de Goethe o levou a compreensão do poder do mal e de sua relação com o crescimento e o autoconhecimento.
-          Nietzsche: penetração psicológica, luta pelo poder.
       Alquimia: transformar metais em ouro=metáfora para a mudança da personalidade e consciência.
       Filosofia Oriental:
-          Ioga e Budismo eram procedimentos orientais para a “individuação”.
-          Mandala: simboliza o processo de individuação. O centro representa o self; o diagrama circular representa o equilíbrio e a ordem que se desenvolvem na psique.
PRINCIPAIS CONCEITOS
       As Atitudes: Introversão e Extroversão:
Os introvertidos: concentram-se prioritariamente em seus próprios pensamentos e sentimentos, em seu mundo interior, tendendo à introspecção. O perigo para tais pessoas é imergir de forma demasiada em seu mundo interior, perdendo ou tornando tênue o contato com o ambiente externo.
Os extrovertidos: se envolvem com o mundo externo das pessoas e das coisas. Tendem a ser mais sociais e mais conscientes daquilo que acontece à sua volta. Necessitam se proteger para não serem dominados pelas exterioridades e, ao contrário dos introvertidos, se alienarem de seus próprios processos internos. Algumas vezes esses indivíduos são tão orientados para os outros que podem acabar se apoiando quase exclusivamente nas ideias alheias, ao invés de desenvolverem suas próprias opiniões.
·         Funções Psíquicas
-          Jung identificou quatro funções psicológicas que chamou de fundamentais: pensamento, sentimento, sensação e intuição. E cada uma dessas funções pode ser vivida tanto de maneira introvertida quanto extrovertida.
-          O Pensamento
Jung via o pensamento e o sentimento como maneiras alternativas de elaborar julgamentos e tomar decisões. O Pensamento, por sua vez, está relacionado com a verdade, com julgamentos derivados de critérios impessoais, lógicos e objetivos. As pessoas nas quais predomina a função do Pensamento são chamadas de Reflexivas. Esses tipos reflexivos são grandes planejadores e tendem a se agarrar a seus planos e teorias, ainda que sejam confrontados com contraditória evidência.
-          O Sentimento
Tipos sentimentais são orientados para o aspecto emocional da experiência. Eles preferem emoções fortes e intensas ainda que negativas, a experiências apáticas e mornas. A consistência e princípios abstratos são altamente valorizados pela pessoa sentimental. Para ela, tomar decisões deve ser de acordo com julgamentos de valores próprios, como por exemplo, valores do bom ou do mau, do certo ou do errado, agradável ou desagradável, ao invés de julgar em termos de lógica ou eficiência, como faz o reflexivo.
-          A Sensação
Jung classifica a sensação e a intuição juntas, como as formas de apreender informações, diferentemente das formas de tomar decisões. A Sensação se refere a um enfoque na experiência direta, na percepção de detalhes, de fatos concretos. A Sensação reporta-se ao que uma pessoa pode ver, tocar, cheirar. É a experiência concreta e tem sempre prioridade sobre a discussão ou a análise da experiência.
-          A Intuição
A intuição é uma forma de processar informações em termos de experiência passada, objetivos futuros e processos inconscientes. As implicações da experiência (o que poderia acontecer, o que é possível) são mais importantes para os intuitivos do que a experiência real por si mesma. Pessoas fortemente intuitivas dão significado às suas percepções com tamanha rapidez que, via de regra, não conseguem separar suas interpretações conscientes dos dados sensoriais brutos obtidos.
       Inconsciente Coletivo:
-          Herança psicológica que se soma à biológica.
-          Inclui material psíquico que não provem da experiência pessoal.
-          Dentro do Inconsciente Coletivo existem, segundo Jung, estruturas psíquicas ou Arquétipos.
       Arquétipos:
-          Arquétipos são formas sem conteúdo próprio que servem para organizar ou canalizar o material psicológico. Eles se parecem um pouco com leitos de rio secos, cuja forma determina as características do rio, porém desde que a água começa a fluir por eles.
-          Jung também chama os Arquétipos de imagens primordiais, porque eles correspondem freqüentemente a temas mitológicos que reaparecem em contos e lendas populares de épocas e culturas diferentes.
-          Jung escreveu que cada uma das principais estruturas da personalidade seriam Arquétipos, incluindo o Ego, a Persona, a Sombra, a Anima (nos homens), o Animus (nas mulheres) e o Self.
       Símbolos:
-          De acordo com Jung, o inconsciente se expressa primariamente através de símbolos. Embora nenhum símbolo concreto possa representar de forma plena um Arquétipo (que é uma forma sem conteúdo específico), quanto mais um símbolo se harmonizar com o material inconsciente organizado ao redor de um Arquétipo, mais ele evocará uma resposta intensa e emocionalmente carregada.
-          Além dos símbolos encontrados em sonhos ou fantasias de um indivíduo, há também símbolos coletivos importantes, que são geralmente imagens religiosas, tais como a cruz, a estrela de seis pontas de David e a roda da vida budista.
       Sonhos:
-          Para Jung, os sonhos desempenham um importante papel complementar ou compensatório. Os sonhos ajudam a equilibrar as influências variadas a que estamos expostos em nossa vida consciente, sendo que tais influências tendem a moldar nosso pensamento de maneiras frequentemente inadequadas à nossa personalidade e individualidade. A função geral dos sonhos, para Jung, é tentar estabelecer a nossa balança psicológica pela produção de um material onírico que reconstitui equilíbrio psíquico total.
-          Para o analista junguiano devemos tratar nossos sonhos não como eventos isolados, mas como comunicações dos contínuos processos inconscientes.
       O Ego:
-          é o centro da consciência e um dos maiores Arquétipos da perso-nalidade. Ele fornece um sentido de consistência e direção em nossas vidas conscientes. Ele tende a contrapor-se a qualquer coisa que possa ameaçar esta frágil consistência da consciência e tenta convencer-nos de que sempre devemos planejar e analisar conscientemente nossa experiência. Somos levados a crer que o Ego é o elemento central de toda a psique e chegamos a ignorar sua outra metade, o inconsciente.
-          Persona:
 - inclui nossos papéis sociais, o tipo de roupa que escolhemos para usar e nosso estilo de expressão pessoal. O termo Persona é derivado da palavra latina equivalente a máscara, se refere às máscaras usadas pelos atores no drama grego para dar significado aos papéis que estavam representando. As palavras "pessoa" e "personalidade" também estão relacionadas a este termo.
- Entre os símbolos comumente usados para a Persona, incluem-se os objetos que usamos para nos cobrir (roupas, véus), símbolos de um papel ocupacional (instrumentos, pasta de documentos) e símbolos de status (carro, casa, diploma).
       Anima e Animus :
- estrutura ics que representa a parte sexual oposta de cada indivíduo. Anima (porção do feminino no homem) e Animus (porção do masculino na mulher).
- O pai do sexo oposto ao da criança é uma influência importante nesse desenvolvimento.
       A Sombra:
-          Para Jung, a Sombra é o centro do Inconsciente Pessoal, o núcleo do material que foi reprimido da consciência. A Sombra inclui aquelas tendências, desejos, memórias e experiências que são rejeitadas pelo indivíduo como incompatíveis com a Persona e contrárias aos padrões e ideais sociais.
-          A Sombra é mais perigosa quando não é reconhecida pelo seu portador. Neste caso, o indivíduo tende a projetar suas qualidades indesejáveis em outros ou a deixar-se dominar pela Sombra sem o perceber. Quanto mais o material da Sombra tornar-se consciente, menos ele pode dominar.
       Self:
-          Jung chamou o Self de Arquétipo central, Arquétipo da ordem e totalidade da personalidade. Segundo Jung, consciente e inconsciente não estão necessariamente em oposição um ao outro, mas complementam-se mutuamente para formar uma totalidade: o Self.
-          O Self é um fator interno de orientação, muito diferente e até mesmo estranho ao Ego e à consciência. Para Jung, o Self não é apenas o centro, mas também toda a circunferência que abarca tanto o consciente quanto o inconsciente, ele é o centro desta totalidade, tal como o Ego é o centro da consciência

                        Bibliografia: 
FADIMAN, James e FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. São Paulo, Harper & Row do Brasil, 1979.



  

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

ALFRED ADLER

ALFRED ADLER – A Psicologia Individual
Biografia:
  Viena 07/02/1870.
  Quase morreu de pneumonia aos cinco anos.
  Medicina aos 18 anos: oftalmologia e clínica geral.
  Em 1902 entra para o grupo de Freud. Foi o primeiro presidente da SPV.
  Em 1911 rompe com Freud.
  Morre em 1937 aos 67 anos durante conferencias na Escócia.

Antecedentes Intelectuais:
  Teoria da Evolução (Darwin): Adaptação ao meio; luta pela superioridade; cooperação vs competição; a relação entre inferioridades orgânicas e a compensação foi uma aplicação da teoria darwinista à medicina.
  Psicanálise (Freud): relação mãe-filho, desenvolvimento psicológico nos primeiros anos de vida, interpretação de sonhos e sintomas.
  Existencialismo (Nietzsche): equiparação dos instintos agressivos com a “vontade de poder”.
  Ficcionalismo (Hans Vaihinger): Filosofia do “Como Se”; “as pessoas são mais influenciadas pelas suas expectativas em relação ao futuro do que pela sua experiência passada real”.
  Holismo (Jan Smuts): a compreensão de cada pessoa como uma totalidade integrada dentro de um sistema social.

Principais Conceitos:
  Inferioridade e Compensação: A inferioridade orgânica estimula o sujeito a lutar para superá-la. A criança experimenta um “Complexo de Inferioridade” devido ao seu tamanho e falta de poder. Quando moderado, servem de motivação para realizações construtivas.

               Luta pela superioridade:
- Agressividade e luta pelo poder são incentivos para a superação de obstáculos.
- Vontade de poder: manifestação de um motivo mais geral – superioridade ou perfeição.
- “A luta pela perfeição é inata no sentido de que faz parte da vida; uma luta, um impulso, um algo sem o qual a vida seria inimaginável”.
- Positiva: conduz ao interesse pelo bem estar dos outros – preocupações sociais.
- Negativa: fruto de um forte complexo de inferioridade transforma-se em perversão neurótica.
  Objetivos de vida:
- Funciona como centro de realização, e é influenciado pelas experiências pessoais, valores, atitudes e personalidade.
- Não é um alvo conscientemente escolhido, formam-se na infância – como compensação de sentimentos de inferioridade, insegurança e desamparo – e permanecem em geral inconscientes.
- Defesa contra sentimentos de impotência. “uma ponte de um presente insatisfatório para um futuro brilhante (...) e realizador”.

  Estilo de vida:
- É o único caminho que um indivíduo escolhe para buscar seu objetivo. Estilo integrado de adaptação e integração com a vida.
- Problemas psicológicos e emocionais, sintomas e traços são uma expressão do estilo de vida.
- Esquema de apercepção: parte do EV que envolve uma concepção de si mesmo e do mundo. Nosso conceito de mundo determina nosso comportamento.

  Self:
-É o estilo de vida, é a personalidade como um todo integrado.
- É o poder criador do self ou personalidade que guia e dirige a resposta individual ao meio ambiente.
-Indivíduo: unicidade, consciência e controle sobre seu destino.
- “Todo indivíduo (...) é o artista de sua própria personalidade”.

  Interesse Social e Cooperação:
- Senso de solidariedade,  de fraternidade na comunidade.
- Sentimento de afinidade com toda a humanidade.
- Nossa personalidade é socialmente formada.
- Só através da cooperação poderemos superar nosso sentimento de inferioridade.
- Falta de cooperação: raiz do estilo de vida neurótico ou inadaptado.

  Tarefas da Vida:
Trabalho: atividades úteis à comunidade; sentimento de satisfação e automerecimento; aperfeiçoamento e maiores realizações.
Amizade: necessidade de interação e adaptação com outros de nossa espécie 
Amor: envolve uma íntima união de mente e corpo e a máxima cooperação entre duas pessoas de sexos opostos.

  Obstáculos ao crescimento:
Três situações na infância que levam ao isolamento, falta de interesse social e estilo não cooperativo; ou seja, neurose:
       A)     Inferioridade Orgânica: crianças fortemente autocentradas.
       B)      Superproteção: insegurança, mínimo interesse social, exigências unilaterais aos outros.
       C)      Rejeição: dificuldades de amar e cooperar, dureza de caráter, inveja e ódio.


  Bibliografia:
FADIMAN, James e FRAGER, Robert. Teorias da Personalidade. São Paulo, Harper & Row do Brasil, 1979.