quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

REFLEXÕES DE UM PSICÓLOGO DE UM POSTINHO DE SAÚDE 2

    
    Janeiro já começou com problemas para a Saúde Mental em Maceió. A SMS, numa tentativa de ampliar os programas de saúde da família, designou equipes para algumas UBS e desalojou justamente os Psicólogos de suas salas de atendimento, demonstrando que compreende a "Saúde" como algo unicamente ligado ao físico, ao corpo, às doenças físicas. O trabalho do Psicólogo, apesar de grandes avanços nas duas últimas décadas, ainda continua a ser percebido por alguns, como um complemento, dispensável em algumas situações. O pior é que isso vai de encontro ao que é descrito pela OMS como "Saúde".
Como estou de licença, não sei como está a situação no meu Posto, espero que não sejamos atingidos por essas medidas.


terça-feira, 29 de outubro de 2024

GREGÓRIO DE MATOS: Mortal Loucura

Gregório de Matos e Guerra, conhecido como "o Boca do Inferno", foi um notável poeta barroco nascido em Salvador, Bahia em 1636. Foi uma figura chave da literatura colonial do Brasil, famosa por seu estilo satírico e mordaz, com o que criticou duramente a corrupção e a hipocrisia da sociedade da sua época, especialmente a igreja e a elite de Salvador.

Estudou direito na Universidade de Coimbra, em Portugal, e posteriormente trabalhou na administração colonial. No entanto, seu caráter inconformista e sua escrita afiada levaram-no a ganhar inimigos poderosos, o que custou o exílio e uma vida de conflitos com as autoridades. Sua obra poética vai da sátira até a poesia lírica e religiosa, e embora não tenha visto suas obras publicadas em vida, seu legado foi perdurado como um símbolo de resistência e crítica social na literatura brasileira. Gregório de Matos faleceu em Recife em 1696. 

Abaixo um de seus poemas mais filosóficos, o soneto Mortal Loucura, que pode ser apreciado na belíssima interpretação de Maria Betânia, musicada por José Miguel Wisnik. Confira no YouTube.




segunda-feira, 28 de outubro de 2024

WILHELM REICH - Citações

 Wilhelm Reich (1897–1957) foi um médico, psicanalista e teórico social austríaco, conhecido por suas investigações sobre a energia orgonica e sua manifestação para a psicologia e a sexualidade humana. Discípulo de Sigmund Freud, Reich foi um dos primeiros a conectar a teoria psicanalítica com conceitos sociais e políticos, defendendo a ideia de que a repressão sexual estava relacionada a problemas psicológicos e sociais.

Reich emigrou para os Estados Unidos em 1939, onde continuou suas investigações. No entanto, suas teorias foram tachadas de pseudociência, e em 1954 a FDA ordenou a destruição de seus acumuladores de orgone e seus escritos. Reich foi encarcerado em 1956 por desobedecer esta ordem e morreu na prisão um ano depois.

Seu legado é polêmico: embora tenha sido rechaçado pela ciência oficial, suas ideias influenciaram o movimento da contracultura nos anos 60 e algumas correntes da psicoterapia contemporânea, por ter incluído o corpo na psicoterapia.

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Que é então necessário que eu faça para me transformar no suporte da sociedade humana?

Nada terás que fazer de extraordinário ou de novo - basta que continues arando os teus campos, usando o teu machado, examinando os teus doentes, levando os teus filhos à escola ou ao campo de jogos, contando aos teus o teu dia a dia, tentando penetrar mais fundo nos segredos da natureza. Tudo isso já és capaz de fazer - embora o tenhas na conta de insignificante perante os feitos do general cheio de condecorações ou príncipe inchado, cavaleiro de armadura reluzente. (In: Escuta, Zé ninguém! p. 101)

 

Se o misticismo religioso nega o próprio princípio da economia sexual, se condena a sexualidade como um fenômeno humano errado que só pode ser redimido no além, o fascismo nacionalista transfere a sensualidade sexual para a “raça estrangeira”, relegando-o assim a uma posição inferior. O rebaixamento da raça estrangeira coincide a partir de agora, organicamente, com o imperialismo Da fase tardia do patriarcado. (In: Psicologia de massas do fascismo. P. 85)

 

 Freud era diferente. Enquanto os outros desempenhavam um papel qualquer - o do professor, o do grande conhecedor do caráter humano, o do cientista eminente -, Freud não se dava ares de importante. Falou comigo como uma pessoa absolutamente comum. Tinha um olhar vivo e inteligente, que não procurava penetrar o olhar do interlocutor com qualquer espécie de pose, mas olhando simplesmente o mundo de uma forma honesta e franca. (In: A função do orgasmo. P. 39)

domingo, 27 de outubro de 2024

ANTONIO CÍCERO

Antônio Cícero foi um poeta renomado, ensaísta e filósofo brasileiro, nascido em 1945 no Rio de Janeiro, e morto recentemente no dia 23 do corrente, em Zurique na Suíça. 

Irmão da cantora Marina Lima, ele também contribuiu intensamente para a música popular brasileira, escrevendo letras marcantes para artistas como sua irmã Marina Lima, Adriana Calcanhotto e Caetano Veloso. Formado em Filosofia, Cícero é reconhecido pela sua exploração de temas profundos como a natureza do tempo, a transitoriedade da vida e a essência das relações humanas. 

Em seus versos, transita por temas existenciais com uma linguagem clara e precisa, com influências da filosofia. Abaixo, uma de suas poesias mais conhecidas, entre as não musicadas. (Foto do Jornal da Band) 



Guardar


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro
Do que um pássaro sem voos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

sábado, 19 de outubro de 2024

REFLEXÕES DE UM PSICÓLOGO DE UM POSTINHO DE SAÚDE - 1

 Desde 2018 - com pausa em 2020 devido a pandemia - atendo num postinho de saúde da periferia de Maceió. Postinho por ser pequeno, em área construída, mas grande em termos de quantidade de atendimentos.

O posto, ou UBS como chamamos atualmente, conta com cinco médicos clínicos, uma ginecologista, um pediatra, algumas enfermeiras e alguns dentistas, três psicólogos, um farmacêutico, uma assistente social, e demais funcionários da área administrativa.

A população parece satisfeita com os atendimentos, parecem entender o compromisso dos profissionais dali, que apesar das condições - às vezes - complicadas pela falta de recursos, dão o melhor de si para prestar um atendimento decente à população.

Em relação aos atendimentos em psicoterapia, que é o que faço, atendemos uma demanda espontânea de vários tipos de transtornos psíquicos: casos que nos chegam com diagnósticos os mais variados possíveis, esquizofrênicos e outros psicóticos, depressivos, ansiosos, adictos (álcool, cocaína, maconha e crack), jogadores compulsivos, adolescentes e crianças com problemas diversos, e também pessoas que não estão bem, passando por problemas existenciais em busca de alívio para seus sofrimentos.

E será sobre isso que irei começar essa série sobre os atendimentos a essa clientela, que me proporcionam uma oportunidade de compreender (e muitas vezes de não compreender, mas sobretudo, de aprender) e trabalhar com esses conteúdos, tão ricos da experiência humana de "estar no mundo", de ser o que se é no momento presente do encontro. Então, aguarde as próximas postagens.

sábado, 1 de junho de 2024

MIA COUTO

 Para ti 


Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

                                 
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

 O poema Para ti está presente no livro Raiz de Orvalho e Outros Poemas.

sexta-feira, 22 de março de 2024

VIETNÃ - Wislawa Szymborska (1923-2012)


"Mulher, como você se chama? - Não sei.

Quando você nasceu, de onde você vem? - Não sei.

Para que cavou uma toca na terra?  - Não sei.

Desde quando está aqui escondida?  - Não sei.

Por que mordeu o meu dedo anular?  - Não sei.

Não sabe que não vamos te fazer nenhum mal?  - Não sei.

De que lado você está?  - Não sei.

É a guerra, você tem que escolher.  - Não sei.

Tua aldeia ainda existe?  - Não sei.

Esses são teus filhos? - São.






terça-feira, 14 de novembro de 2023

domingo, 30 de abril de 2023

EPISÓDIO COMPLETO: SUGESTÕES: A CIÊNCIA DO ENGANO - Qual o poder da ment...


Neste episódio, vamos começar falando sobre como enganamos o cérebro para criar a realidade e realizar as previsões que fazemos para nós mesmos. Vamos falar sobre a profecia asteca da volta de Quetzalcoatl e como, graças a ele, uma grande parte da conquista de Cortés foi facilitada. Depois, um mágico, especialista em comunicação gestual, vai explicar como adivinha as cartas dos participantes com a informação que ele lhes passa. E em um jantar, tentaremos fazer com que um grupo de pessoas acredite que foi intoxicado. Vamos falar também, sobre a crença da má sorte, de onde ela vem, e por que de uma forma ou de outra, influencia em nosso modo de agir. A caça às bruxas foi uma utilização de crença para controlar a população. Sob este mesmo controle, vamos tentar fazer com que um grupo de pessoas aja como hipnotizado apenas porque outras pessoas estarão realmente sendo hipnotizadas. O cérebro reconstrói a realidade em torno de indícios e vamos sair às ruas para ver como reagimos, fazendo de conta que possuímos elementos que não existem.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O ciclo místico-religioso na Literatura de Cordel


Já está à venda na Editora Appris e em várias plataformas de vendas pela internet o livro 'O ciclo místico-religioso na literatura de cordel", de minha autoria. Trata-se de uma obra que investiga a presença e permanência desse ciclo temático nas poesias de cordel, que aparece nos versos plenos de figuras emblemáticas da religiosidade popular nordestina, tais como o Padre Cícero e o Frei Damião. Mas não para por aí, o universo místico e mítico também surge nas poesias - representadas de forma retórica - que versam sobre as crendices e mitos sagrados, parte integrante do imaginário popular.

Para quem eu recomendo a leitura? Para qualquer pessoa que queira aprender mais sobre a cultura popular do Nordeste do Brasil (especialmente obre a religiosidade popular) a partir dessa poesia popular narrativa que ficou conhecida como Literatura de Cordel. Garanto que irão se encantar com a história da Literatura de Cordel nesse ciclo temático tão importante, além de conhecer - ou rever - a obra dos mais importantes poetas e cantadores que há mais de cem anos vêm traduzindo em seus versos a vida, a morte e o além-morte de uma região. Boa leitura!

Onde comprar: Lojas Americanas, Amazon, Shop Time, Shopee, Livraria Martins Fontes, Ramalivros, Submarino, Magalu, Livraria da Travessa e no site da Editora Appris.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Depressão: "O demônio do meio dia".

Palestra proferida pelo professor Antonio Lima para alunos da UNCISAL em setembro de 2020. O tema principal é a depressão, mas, outras patologias psíquicas também são abordadas.

sábado, 21 de agosto de 2021

Paul Bloom - Somos Nós Propensos à Ganância ou Empatia?

O psicólogo Paul Bloom fala sobre empatia e comportamento altruístico em crianças pequenas.
Canal: Purgatório

Experimento sobre altruísmo

Experimentos realizados por Felix Warneken e Michael Tomasello no Instituto Max Planck para avaliar a capacidade de altruísmo em crianças de 6 a 24 meses e chimpanzés.
Canal: Infancia en positivo,

domingo, 18 de julho de 2021

Infância e família | Maria Rita Kehl

Vídeo do Café Filosófico com a psicanalista Maria Rita Kehl em que são abordados assuntos referentes ao desenvolvimento infantil, a função paterna e materna e  sobre aquilo que fica no adulto desse passado traumático.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Um encontro com Lacan

Documentário sobre a trajetória do psicanalista francês Jacques Lacan, com depoimentos de ex-alunos e ex-analisandos. Muito bom para entender o homem que viria a revolucionar a Psicanálise, aquele que devolveria o "veneno" que os psicanalistas devotos da psicologia do ego retiraram pouco a pouco do legado de Freud.
Canal: Psicanálise Lacaniana.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

'Estamos definhando', afirma psicólogo sobre saúde mental na pandemia.

 Especialista defende que precisamos de um nome para o estado de estagnação e desânimo que não chega a ser depressão; para ele, a palavra é 'definhar'

Adam Grant, The New York Times

21/04/2021 - 00:01

Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/estamos-definhando-afirma-psicologo-sobre-saude-mental-na-pandemia-24980103

No início, não reconheci os sintomas que todos nós tínhamos em comum. Amigos mencionaram que estavam com problemas para se concentrar. Colegas relataram que, mesmo com as vacinas no horizonte, não estavam animados com 2021. Um parente ficou acordado até tarde para assistir a um filme que já conhecia de cor. E, em vez de pular da cama pela manhã, fiquei deitado, brincando num jogo on-line.

Não era burnout — ainda tínhamos energia. Não era depressão — não estávamos desesperados. Nós apenas nos sentimos um tanto sem alegria e sem objetivo. E existe um nome para isso: definhar.

Definhar é ter a sensação de estagnação e vazio. É como se você estivesse confundindo os dias, olhando para a vida através de um para-brisa enevoado. E essa pode ser a emoção dominante de 2021.

Enquanto cientistas e médicos trabalham para tratar os sintomas físicos da Covid-19, muitas pessoas lutam com a longa duração emocional da pandemia. Fomos pegos despreparados, porque o medo intenso e a dor do ano passado tinham se dissipado.

No início da pandemia, é provável que o sistema de detecção de ameaças do seu cérebro — chamado amígdala — estivesse em alerta máximo para lutar ou fugir. Enquanto aprendia que as máscaras ajudam a nos proteger — mas a limpeza das compras, não —, você provavelmente desenvolveu rotinas que aliviaram sua sensação de pavor. Mas a pandemia se arrastou, e o estado agudo de angústia deu lugar a uma condição crônica de definhar.

Na psicologia, pensamos sobre a saúde mental em um espectro que vai da depressão ao florescimento. Florescer é o auge do bem-estar: você vê sentido na vida e se sente importante para os outros. A depressão é o vale do mal-estar: você se sente desanimado, esgotado e sem valor.

Definhar é o negligenciado "filho do meio" da saúde mental. É o vazio entre a depressão e o florescimento — a ausência de bem-estar. Você não tem sintomas de doença mental, mas também não é a imagem da saúde mental. Você não está funcionando com capacidade total. Definhar entorpece a motivação, atrapalha a capacidade de se concentrar e triplica as chances de se produzir menos no trabalho. Parece ser mais comum do que a depressão grave e, de certa forma, pode ser um fator de risco maior para doenças mentais.

Sintomas de transtornos futuros

O termo foi cunhado pelo sociólogo Corey Keyes, que ficou surpreso ao ver que muitas pessoas que não estavam deprimidas também não estavam prosperando. Sua pesquisa sugere que as pessoas com maior probabilidade de sofrer de depressão grave e transtornos de ansiedade na próxima década não são aquelas com esses sintomas hoje. São as pessoas que estão definhando agora.

E novas evidências de profissionais de saúde trabalhando no combate à pandemia na Itália mostram que aqueles que estavam sofrendo na primavera de 2020 têm três vezes mais probabilidade do que seus pares de serem diagnosticados com transtorno de estresse pós-traumático.

Parte do perigo é que, quando você está definhando, pode não notar a redução da libido. Você não se pega escorregando lentamente para a solidão; você é indiferente à sua indiferença. Quando não consegue ver o seu próprio sofrimento, você não busca ajuda ou nem mesmo faz esforço para ajudar a si mesmo.

Mesmo que não esteja definhando, você provavelmente conhece pessoas que estão. Entender isso melhor pode te ajudar a ajudá-las.

Um nome para o que você sente

Psicólogos apontam que uma das melhores estratégias para controlar as emoções é nomeá-las.

No ano passado, durante a aguda angústia da pandemia, a postagem mais viral da história da Harvard Business Review foi um artigo descrevendo nosso desconforto coletivo como dor. Além da perda de entes queridos, estávamos de luto pela perda da normalidade. "Luto." Isso nos deu um vocabulário familiar para entender o que parecia ser uma experiência desconhecida. Embora nunca tenhamos enfrentado uma pandemia antes, a maioria de nós enfrentou perdas. Isso nos ajudou a cristalizar lições de nossa própria resiliência do passado – e a ganhar confiança em nossa capacidade de enfrentar as adversidades presentes.

Ainda temos muito o que aprender sobre o que nos leva a definhar e como curar, mas dar um nome pode ser um primeiro passo. Isso nos ajudaria a desobstruir a visão, dando-nos uma janela mais clara para o que era, antes do nome, uma experiência embaçada. Pode nos lembrar que não estamos sozinhos: definhar é comum e uma experiência compartilhada.

E poderia nos dar uma resposta socialmente aceitável para a pergunta: "Como vai você?".

Em vez de dizer "Ótimo!" ou "Tudo bem", imagine se respondêssemos: "Honestamente, estou definhando". Seria um contraste refrescante para a positividade tóxica – aquela pressão tipicamente americana para estar sempre otimista.

Quando você adiciona desânimo ao seu léxico, começa a notá-lo ao seu redor. É algo que aparece quando você se sente desapontado com sua curta caminhada à tarde. Está na voz de seus filhos quando você pergunta como foi a aula on-line.

Um antídoto para a apatia

O que podemos fazer sobre isso? Um conceito chamado “fluxo” pode ser um antídoto para o definhamento. Fluxo é aquele estado indescritível de absorção em um desafio significativo ou um vínculo momentâneo, em que seu senso de tempo, lugar e ego se desvanece. Durante os primeiros dias da pandemia, o melhor indicador de bem-estar não era o otimismo ou a atenção plena – era o fluxo. Pessoas que se tornaram mais imersas em seus projetos conseguiram evitar o adoecimento e mantiveram sua felicidade pré-pandêmica.

Embora encontrar novos desafios, experiências agradáveis e trabalho significativo sejam todos remédios possíveis para não definhar, é difícil encontrar o fluxo quando você não consegue se concentrar. Esse era um problema muito anterior à pandemia, quando as pessoas costumavam verificar e-mails 74 vezes por dia e trocar de tarefas a cada 10 minutos. No ano passado, ainda tivemos dificuldades como as interrupções de crianças em casa, os colegas espalhados pelo mundo e os chefes 24 horas por dia.

A atenção fragmentada é inimiga do engajamento e da excelência. Em um grupo de 100 pessoas, apenas duas ou três serão capazes de dirigir e memorizar informações ao mesmo tempo, sem que seu desempenho seja prejudicado em uma ou nas duas tarefas. Os computadores podem ser feitos para processamento paralelo, mas humanos são melhores com o processamento serial.

Concentre-se em uma pequena meta

A pandemia foi uma grande perda. Para transcender o esmorecimento, tente começar com pequenas vitórias.

Um dos caminhos mais claros para fluir é ter uma dificuldade administrável: um desafio que amplia suas habilidades e aumenta sua determinação. Isso significa reservar um tempo diário para se concentrar em um desafio que é importante para você – um projeto interessante, uma meta que vale a pena, uma conversa significativa. Às vezes, é um pequeno passo para redescobrir um pouco da energia e do entusiasmo que você perdeu durante todos esses meses.

O enfraquecimento não está apenas em nossas cabeças – está em nossas circunstâncias. Ainda vivemos em um mundo que normaliza os desafios da saúde física, mas estigmatiza os desafios da saúde mental. Enquanto nos dirigimos para uma nova realidade pós-pandemia, é hora de repensar nossa compreensão da saúde mental e do bem-estar. “Não deprimido” não significa que você não esteja com dificuldades. “Não ter um burnout” não significa que você esteja entusiasmado.

Reconhecendo que muitos de nós estamos definhando podemos começar a dar voz ao desespero silencioso e iluminar um caminho para sair do vazio.

*Adam Grant é psicólogo na Wharton School, autor do livro “Think Again: The Power of Knowing What You Don’t Know”

 

terça-feira, 13 de abril de 2021

Experimentos de Wolfgang Kohler sobre inteligência de chimpanzés

Filme de 1914
Canal do YouTube de Bruno Resende de Souza (https://youtu.be/o6t7pZAbwFY)